Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Palavras ousadas

O meu espaço de ousadia

Palavras ousadas

O meu espaço de ousadia

E o nome da raposa é Covid.

camara fama.jpg

O Centro de Recolha Animal de Famalicão acolheu, durante cerca de um mês, uma raposa que recolheu na freguesia de Gavião. O trabalho meritória deste centro esbarrou numa falta de imaginação que esperemos não cause danos significativos na raposa que pelo que fomos informados não é o mais adequado. Pelo que se sabe esta raposa foi confundida com um cão. Ambos tem 4 patas, mas a fuça e as orelhas não me parecem confundíveis. Os funcionários municipais alertaram para o facto de o animal estar desnutrido, mas salientam o facto de não terem vislumbrado ferimentos graves. Graves ao ponto de se comparararem com o ferimento que estes funcionários sofreram com o corte dos seus subsídios de alimentação por parte do seu patronato. Esperemos que ambos se aguentem!

 

Adeus ao subsídio de refeição a funcionários da Câmara de Famalicão

camara fama.jpg

"Alguns funcionários da Câmara de Famalicão perderem o subsídio de refeição nos meses de abril e maio, quando estiveram em casa. O Bloco de esquerda (BE) fala em cerca de mil funcionários, a Câmara diz que não chegam a 250 e que a culpa é do despacho aprovado em Conselho de Ministros para regulamentar o teletrabalho.

O caso foi denunciado, esta segunda-feira, pelo BE de Famalicão que, em comunicado, veio exigir que a Câmara Municipal restituía o pagamento do subsídio de alimentação aos trabalhadores municipais que estiveram em casa nos meses de abril e maio, adiantando que "a estimativa é de aproximadamente 1000 funcionários terem perdido cerca de 100 euros mensais relativos ao subsídio de alimentação"

Este não é um problema exclusivo dos trabalhadores municipais. Muitas empresas estão a aproveitar o facto de alguns dos seus trabalhadores estarem a operar a partir de casa "teletrabalho" para justificarem o não pagamento dos subsídios de alimentação. É o país que temos.

As palavras que nunca te direi

as palavras que nunca te direi.jpg

Aproveita e coloca a leitura em dia. Este é um livro que tens de ler. Podes também ver o filme. Imperdivel!

É a historia de um homem que perdeu tudo e que encontra numa mulher (jornalista) que passeia na praia, a luz na escuridão da sua vida! Uma mulher que vem atras da bela carta escrita por ele, numa garrafa atirada ao mar... Amor é possível...amar é nunca esquecer e viver de novo!! Este livro é todo sentimento...é uma esperança! 

Diário de um vírus - capítulo 5

diari de um virus.jpg

Ano 2036

06 de março

21.00

 

Hoje o dia foi de loucos. Eu e a Júlia fomos ao hospital militar colocar o dito chip. Fomos informados na véspera, e embora eu me tenha exaltado e enfurecido de nada valeu. Não nos deram alternativa. Vieram-nos buscar a casa por volta das 8h e fomos levados para um hospital de campanha criado exclusivamente para este fim. Na viagem tentamos roubar algumas informações aos soldados que nos acompanhavam, mas as suas bocas permaneceram mudas do início ao fim da viagem. As suas faces não esboçaram qualquer reação nem sentimento e isso paralisou-me ainda mais.  A Júlia não soltou qualquer palavra, sentimento ou vontade. A sua cara pálida e fria não se aterrorizou com a indelicadeza do momento. Pareceu-me que ela estava preparada para isto. Saímos da viatura militar e entramos numa enorme tenda cinza instalada no centro da praça. Dois seguranças á entrada davam o mote para o que aí vinha. Sentamo-nos ordeiramente numas cadeiras colocadas para o efeito e esperamos.

Ficamos emudecidos quando a voz do comandante Aníbal Ramos ecoa por toda a tenda.

 - Não quer porquê? Questionava ele.

Ninguém estava a perceber o que se passava, mas também ninguém ousou questionar. Os rapazes não nos iam matar a curiosidade.

A minha vez chegou. O militar abriu a porta e ambos passamos a fronteira. Bato de fuças com o tal Aníbal. Careca quanto baste, olhar medonho e nariz rebelde, são os primeiros ingredientes que sobressaíram no primeiro olhar que estabelecemos.

- Sente-se! Replicou.

E eu sentei-me evidentemente.

Ouviu o homem durante breves 5 minutos. Explicou-me as razões da necessidade de se estar a implantar nos seres humanos o chip e a marca na mão. É uma espécie de recenseamento. Ficamos cadastrados e registados num sistema global, planetário. No caso de futuras epidemias e catástrofes ou outros eventos mais ou menos explicáveis, eles saberão onde estamos e como estamos. Porque estamos e para onde vamos. Vou vos dizer. Nem sei porque houve tanto alarme. Afinal de contas é para nossa proteção. E embora não fosse obrigatório, a verdade é que não temos alternativa. Quem não o fizer é descartado e fica por sua conta e risco. Se não permitisse que me colocassem o chip era considerado para o governo como um criminoso. Não podia aceder a qualquer ajuda do estado, nem de empresas e associações publicas. Não podia comercializar nem trabalhar. Deixava de poder comprar ou vender. Imaginem que nem sequer podia ir ao supermercado fazer compras para matar a fome! Inimaginável. Assinei de pronto a autorização e em 15 minutos introduziram-me a marca e o chip. Saio prontamente e aliviado. Aguardo no autocarro militar pela Júlia e pelos restantes. Não sei porquê, mas a Júlia está demorada. Apenas falta ela, e pelas minhas contas já passou uma hora desde que entrou. O que se passará? Saberei assim que ela voltar. Mais 30 minutos passam e também passa a minha preocupação, pois a Júlia sai da tenda e já se dirige para aqui. Ela senta-se, a porta fecha e o autocarro percorre o trajeto que nos leva ao nosso leito. Entramos enfim em casa. Foi um dia diferente. Não tão complicado como reivindicaram.

Mato-te porque sim.

floyd.jpg

Ficamos e continuamos boquiabertos. Qual o valor da vida? Nenhum? Quando olhamos para o rosto daquele homem de nome Floyd, sucumbimos com ele. Não conseguimos respirar este ódio que passeia pelas nossas ruas e cidades. Nem os países mais evoluídos escapam ao tumulto das mais horríveis e vorazes atitudes humanas. Quando olhamos para Floyd, não vemos um homem musculado, bem constituído, forte, mas vemos um pequeno rapaz, diminuído, ultrajado, assassinado que num outro dia, num outro lugar, poderá ser o nosso próprio filho.  Este homem poderia ser um ladrão, um traficante, ou outra coisa qualquer, ainda assim não há direito de menosprezar e aterrorizar a vida humana num gesto tão obsceno. Nenhuma farda pode assassinar. A insensibilidade ordinária não pode vigorar entre a raça humana, nem tão pouco a benevolência insípida e a promiscuidade. Floyd era um homem que deveria ser amado.

Diário de um vírus - capítulo 4

 

diari de um virus.jpg

Ano 2036

15 de janeiro

14.00

 Passaram aproximadamente 8 meses. Não vos tenho dito nada, porque não tem havido nada para vos dizer. Os dias tem sido autênticas réplicas. Isto do confinamento está a dar-nos cabo da cabeça, da paciência e de tudo um pouco. O governo assumiu a semana passada a muito custo, ­­­ que o país está em falência técnica. Não é para admirar, as empresas estão paradas e a torneira da Europa deixa cair apenas umas pequenas gotas que desaparecem mesmo antes de esbarrarem na terra árida e faminta. Quase todas as televisões faliram, restando o canal público que uma vez por semana transmite algumas notícias. Uma verdadeira tragédia. Já tenho saudades das parvoíces que nos acompanhava durante os serões. As discussões inúteis e fantasiosas por esta altura fariam toda a diferença. E por falar em fantasias! Esta semana fomos informados que 2 ovnis foram avistados. Um em Israel e outro nos EUA. Não sou muito crente nestas coisas, mas há quem diga que pode estar aqui a chave para o enigma relativo ao desaparecimento de pessoas. Não sei o que vocês acham, mas cá para mim não passa de mais uma invenção infundada. Devem estar ansiosos por saber novidades da minha Júlia? Pois bem, ela está diferente. Ela está mais forte e comprometida com o nosso futuro. Ainda assim, tenho que admitir que nem tudo me parece necessariamente normal. Numa altura em que a situação fez aumentar o ceticismo, ela contraria esta generalidade e tornou-se numa pessoa crente, devota e um pouco irracional, digo eu. As pessoas esqueceram-se de Deus, mas a minha Júlia diz que o encontrou. Tenho tentado tirar-lhe esta ideia do pensamento, pois acho que a culpa deste estado de coisas é dele. Quando digo isto, acreditem que acredito mesmo nisto. Mas ela não me dá troco, pelo contrário, recusa as minhas interpretações e pede-me que enfrente o Criador. Segundo ela, para o entender temos que o escutar. Mas como vou escutar alguém que não vejo, não apalpo, não sinto, e ainda por cima levou-me os meus pequenos? Será que ela está esquecida disso, ou acha que é obra de discos voadores tripulados por uns ridículos predadores de gentes. As nossas discussões tem sido infrutíferas. Temos pensamentos e prognósticos diferenciados, que comprometem quase sempre um entendimento sincero e produtivo. As convicções dela parecem ser verdadeiras, e isso preocupa-me.      

Outro assunto que vos queria contar vai deixar-vos de boca aberta. Ao que parece vamos ser obrigados a um registo global de identidade. E perguntam vocês o que raio é isto? A mesma pergunta fiz eu e fiquei a saber o mesmo, ou quase o mesmo. Dizem os entendidos que se trata de um chip que será colocado debaixo da nossa pele e que permitirá identificar-nos e localizar-nos em tempo real e com precisão. Este chip e uma marca na mão direita substituirão o cartão de cidadão. Esta nova identificação será praticamente obrigatória, pois quem não a tiver não poderá comprar nem vender nada. Isto está de loucos! O pessoal já anda chipado que chegue, não acham? Eles querem controlar tudo, e vão controlar. Com esta nova tecnologia controlarão tudo e todos. Pensem nisto.